24 de novembro de 2011

O Mundo Feudal (5ª Parte)

 Das peregrinações armadas à Terra Santa; os conflitos com os muçulmanos, até as viagens de São Brandão pelo mundo em busca do Paraíso. E surpreendente: os manuscritos que instigariam mais tarde parte da sociedade européia a pensar que o Paraíso não estivesse no Oriente Médio, mas fosse o Brasil.

As Cruzadas

• Os fiéis da Europa Medieval passaram a caminhar por florestas arriscadas nas fronteiras da cristandade, com destino à Palestina. Nos percursos, os fiéis deparavam-se com uma diversidade de povos pagãos e como diziam, “infiéis” muçulmanos. Dessa forma, a maior prova de fé a Deus, visto na sociedade, era enfrentar tais inimigos, na iminência do risco de vida.

• E o perigo de fato existia, principalmente na região mais sagrada para os cristãos, a Palestina, que, desde o século VII estava sob domínio muçulmano. Mesmo assim, os fiéis davam um alto valor à região, e nem era por menos, pois, uma boa parte dos acontecimentos descritos pelo Antigo Testamento ocorreram na Palestina. Entre eles, estavam as lutas dos judeus contra os seus inimigos, a volta dos judeus à terra de origem após o cativeiro no Egito, os novos castigos impostos por Deus, a conquista da cidade de Jerusalém pelos babilônios, a dispersão dos judeus pelo mundo e a promessa de um retorno definitivo à Terra Prometida. Neste contexto surgiram as Cruzadas, peregrinações armadas, que ocorreram no período: século XI a XIII.

• Além da motivação religiosa, as peregrinações armadas também ocorreram por outras questões, como, por exemplo, o interesse no controle das rotas comerciais com o Oriente, a conquista de terras e riquezas, a possibilidade do fortalecimento do poder dos monarcas europeus e a ampliação do poder da Igreja Católica.

• Ao passo que percorriam regiões rumo à Palestina, os cristãos eram atraídos pelas imagens de abundância e beleza do Paraíso Terrestre, propagadas pela Igreja. Os fiéis detinham uma ambiciosa fé em encontrar a terra da Árvore da Vida, da Fonte da Juventude e da abundância de pedras preciosas. E conforme as escritas bíblicas, o Éden localizava-se hipoteticamente sobre a mais alta montanha do Oriente, num ponto próximo à Palestina. Já outros fiéis acreditavam que a montanha que sustentava o Éden, era tão alta que chegava a atingir a Lua, e, teria, desse modo, ficado à salvo do Dilúvio. E havia também os que acreditavam que o Paraíso Terrestre estava em uma ilha fantástica, separada dos homens por águas perigosas e assustadoras.

Os manuscritos de São Brandão

• Durante os séculos X e XV, circularam pela cristandade cerca de 120 manuscritos que relatavam a viagem de um abade irlandês, conhecido por São Brandão, que, teria enfrentado o Oceano Atlântico, durante os anos 565 e 573, rumo a descobrir o Paraíso. Durante a viagem, São Brandão e seus companheiros teriam visto todos os tipos de animais marinhos: baleia, serpente e os que nomeavam como monstros marinhos. Teriam ainda se deparado com ilhas repletas de riquezas, enfrentando tormentas e tentações demoníacas, que eram contorcionadas pela fé em Deus. Após sete anos de aventuras, São Brandão e seus companheiros teriam chegado ao “recinto do qual Adão foi dono”, localizado em uma ilha de altas montanhas de puro mármore, cuja entrada era guardada por dragões.

• Na ilha, o Paraíso para os viajantes, eles encontraram o que esperavam: temperatura boa, verão, formosos bosques e jardins, vários rios; e flores e frutas de todas as espécies, além de diversos animais, entre outros. A estada de São Brandão no Paraíso teria sido limitada, sendo que depois Brandão deveria retornar à sua terra, da qual poderia levar para ela, pedras preciosas da terra do Paraíso.

O Paraíso é o Brasil

• As viagens do santo estimularam a imaginação de viajantes e cartógrafos, sendo que, muitas expedições foram realizadas ao final do século XV com o objetivo de descobrirem a ilha lendária; esta foi denominada inicialmente como ilha de São Brandão. A localização da ilha passou a ser orientada pela posição ao norte do Atlântico, onde recebeu a nomeação de Ilhas Canárias, junto do Equador. Em alguns casos, o arquipélago foi denominado por Bracir, de etimologia aparentada ao idioma irlandês, influenciando depois a designação por “O’Brazil”, terras abundantes de recursos naturais.

Outras imaginações dos homens medievais religiosos

• O homem medieval imaginara, ainda, outras localidades –a maioria no Oriente- que pudesse estar o Paraíso. Relatos de Reinos misteriosos e exóticos, ilhas repletas de riquezas e seres estranhos, povos que praticavam o canibalismo e mantinham todo tipo de relações sexuais eram ditos por viajantes que se aventuravam pelo mundo.

• No século XII, entre a segunda e a terceira cruzada, circulou na Europa notícias sobre um rei sacerdote cristão, possuidor de um rico e poderoso reino localizado na Índia. O Preste João, como era chamado, estaria combatendo os muçulmanos e teria quase conquistado a Terra Santa.

Leia também a 6ª parte deste estudo (CLIQUE AQUI)

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