26 de novembro de 2011

O Mundo Feudal (8ª Parte)

 O iniciar do Renascimento, a combinação das ideias religiosas e dogmáticas às ideias da razão. O equilíbrio entre Ciência e Religião proposto por São Tomás de Aquino, e as obras e artistas humanistas.

O renascimento

• Desde o século XII, iniciou-se na Itália um vagaroso processo de transformação cultural, espalhando-se mais tarde, por toda a Europa. Nas escolas das cidades valorizava-se uma leitura da Bíblia voltada à semelhança entre o homem e Deus.

• A valorização da cultura clássica (greco-romana), que baseava-se no racionalismo e no espírito crítico, no naturalismo (estudo do mundo físico natural), a partir do século XIII, começava a ameaçar o controle da Igreja.

A escolástica

• Nesse período, surgiu a escolástica, um meio de ensino que retornava à antiguidade, baseando-se nos ensinamentos de Aristóteles a respeito da religião. Os escolásticos visavam dessa forma, explicar e esclarecer os ensinamentos cristãos por meio de conceitos e princípios lógicos. Para eles, a fé embora não fosse originária da razão, também não era contrária a ela, procurando desse modo, provar as coisas que já consideravam verdades pela fé.

• São Tomás de Aquino (1225-1274) foi um grande escolástico que considerava a revelação paralela à razão, portanto, a razão não devia ser temida, pois era outro caminho para Deus. São Tomás acreditava que amar o intelecto era honrar a Deus.

• A escolástica inspirou vários intelectuais da época, que foram definidos como humanistas. Esses consultavam nas bibliotecas e mosteiros, manuscritos de autores da Antiguidade greco-romana, onde procuravam apreciar suas qualidades essencialmente literárias. Assim, voltaram a estudar o grego, latim e hebraico.

• É importante ressaltar que, embora se espelhassem em conhecimentos antigos, os escolásticos não buscavam retornar ao passado. Os homens medievais já sabiam que estavam em um outro contexto histórico, que eram outros homens, e que deveriam evoluir ainda mais. Para tal, o estudo do passado, servia apenas como uma forma de conhecimento para a criação de novos conceitos e coisas. Eles tinham o desejo do poder, da ciência, da arte e da filosofia pretérita, adaptada ao seu mundo.

O renascimento em si

• O desenvolvimento da nova cultura era condizente com as necessidades da burguesia de impor-se em uma sociedade dominada pela nobreza e pelo clero. Dessa forma, ricos comerciantes patrocinaram artistas humanistas, sendo denominados por mecenas. Os mecenas ganhavam amplo apoio político e contribuíram para a consolidação do Renascimento, um movimento cultural alternativo ao clerical, que introduzia novos conceitos, e atingiria o seu ápice nos séculos XV e XVI.

• Os humanistas valorizavam o homem como o centro de tudo, mas durante a Idade Média, entre a passagem do período feudal até o início da Idade Moderna, os humanistas ainda estariam ligados a corrente religiosa e a Deus. Nesse processo, houve a mudança da ideologia do teocentrismo para o antropocentrismo.

• Nas artes plásticas, os artistas do renascimento buscaram produzir pinturas e esculturas vinculadas às observações do mundo visível e em uma série de princípios matemáticos e racionais, como o equilíbrio, a harmonia e a perspectiva. Artistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci procuraram através de suas obras explorar a natureza.

• O renascimento ultrapassou as fronteiras, favorecendo o surgimento de manifestações intelectuais e artísticas originais. Autores como Shakespeare, Erasmo de Roterdã, Thomas Morus, foram influenciados pelos italianos e renovaram, perante as tradições do norte, o pensamento do século XIV. A religiosidade, ainda não fora abalada, seria preciso mais algum tempo para que isso viesse a acontecer.

O anatomista Vesalius (1514-1564) expõe uma visão científica do corpo humano.

Escultura Davi, de Michelangelo (1475-1564). A escultura foi feita em 1501, sob o mármore, e idealizada para ser vista de baixo; a imagem sugere um homem dono de uma visão vigilante e mediativa, capaz de tomar atitudes serenas, assim como, avassaladoras.

Escultura Mater Dolorosa (Pietá), esculpida em madeira, do início do século XIV. Pietá é um vocábulo italiano, originário do latim "pietas", e quer dizer, "piedade" ou "de piedade". Sobre a obra, Pietá passou a representar a Virgem chorando o Cristo morto. Tal cena não encontra-se na Bíblia, sendo portanto inventada.

Escultura Pietá (1498-1499), esta de Michelangelo.

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