30 de outubro de 2011

A Semana de Arte Moderna: o Brasil antes e depois da movimentação artística (5ª Parte)

Os principais fatos artísticos que antecederam a Semana de Arte Moderna de 1922.

Os antecedentes artísticos da Semana de Arte Moderna de 1922

• 1912

Oswald de Andrade, tendo retornado de sua viagem à Europa, escreve o poema “Último passeio de um tuberculoso, pela cidade, de bonde”. A obra se inspirava nas ideias futuristas de Marinetti. O poema é desprezado pelo público e Oswald o joga fora.

Abaixo, trecho do seu livro de memórias em que Oswald narra a volta de sua viagem à Europa:

“Dos dois manifestos que anunciavam as transformações do mundo, eu conheci em Paris o menos importante, o do futurista Marinetti. Carlos Marx me escapara completamente.”

• 1913

Exposição artística das pinturas expressionistas de Lasar Segall, provenientes das vanguardas européias.

• 1914

Primeira exposição da pintora Anita Malfatti.

• 1915

Início do modernismo em Portugal com a publicação da revista Orpheu.

• 1917

- Publicação de Há uma gota de sangue em cada poema. Livro de Mário de Andrade sob o pseudônimo de Mário Sobral.

- Publicação de Juca Mulato, por Menotti del Picchia.

- Di Cavalcanti expõe em São Paulo suas obras caricaturistas.

- Há a grande exposição das obras de Anita Malfatti, realizada em São Paulo e contando com telas como A estudante russa, O japonês, Mulher de cabelos verdes, O homem amarelo e A boba, entre outras. Em ataque à Anita, Monteiro Lobato publica no jornal O Estado de S. Paulo, um artigo intitulado “Paranóia ou mistificação?”, com o subtítulo “A propósito da exposição Malfatti”.

“Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia. (...) Sejamos sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo (Lobato chama o Expressionismo de Impressionismo) e ‘tutti quanti’ não passam de outros tantos ramos da arte caricatural a regiões onde não havia até agora penetrado. Caricatura da dor, caricatura da forma – caricatura que não visa, como a primitiva, ressaltar uma ideia cômica, mas sim desnortear, aparvalhar o espectador.”

^ Trecho do artigo de 20 de dezembro de 1917.

O artigo provocou um escândalo entre os artistas e vários deles apoiaram Anita Malfatti, entre eles: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia.

• 1918

- É publicado Messidor, de Guilherme de Almeida.

- Publicado Carnaval, de Manuel Bandeira.

• 1921

- Durante banquete no Trianon em homenagem a Menotti del Picchia, que tinha lançado As máscaras, Oswald de Andrade discursa a um pequeno grupo de jovens artistas, defendendo a arte moderna e critica os passadistas.

- Mário de Andrade escreve as poesias de Pauliceia desvairada.

- Mário de Andrade escreve artigos em que critica os poetas parnasianos e o seu domínio sobre o ambiente literário da época:

“Malditos para sempre os Mestres do Passado! Que a simples recordação de um de vós escravize os espíritos no amor incondicional pela Forma! Que o Brasil seja infeliz porque vos criou! Que o Universo se desmantele porque vos comportou! E que não fique nada! nada! nada!”

Acima, trecho do artigo Mestres do Passado, de Mário de Andrade.

- Em novembro, Di Cavalcanti expõe a obra literária Fantoches da Meia-Noite. Em seu livro de memórias, Di Cavalcanti publica:

“(...) Eu sugeri a Paulo Prado a nossa Semana, que seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana.”

Leia também a 6ª parte deste estudo (CLIQUE AQUI)

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