Páginas

21 de novembro de 2011

O Mundo Feudal (2ª Parte)

 A falta de conhecimento e domínio da informação do homem medieval colocava-o em uma situação de temores quanto à tudo aquilo que ele não pudesse dominar, como as forças da natureza. O temor do homem medieval era, sobretudo, aliviado pela Igreja, que representava naquela época uma instituição intermediária entre Deus e o povo. Para controlar o homem, a Igreja o limitava de diversas práticas e sobre ele havia uma intensa rotina e difusão religiosa.

O controle religioso da Igreja

• A Igreja exercia o seu poder místico através do controle do tempo. Na época medieval (Séc. V a XV), o homem era um ser integrado e submisso à natureza, de forma que ele compusesse uma parte do meio natural e estivesse submetido a este, não tendo, àquele tempo, o domínio da informação sobre fenônemos naturais, hoje conhecidos.

• Dessa forma, a vida era cercada de medos e preocupações que colocavam o homem numa posição de desvantagem, já que este assimilava muito as forças incontroláveis da natureza à forças desconhecidas (a própria força natural era desconhecida). Suas preocupações e medos eram, assim, por dizer, equilibradas a interpretações religiosas e aos ditos da Igreja, que traziam um certo conforto e segurança às apreensões do homem.

• No tempo religioso, havia duas etapas: antes e depois da vinda de Cristo. O ano era organizado em três partes que correspondem aos dramas de Cristo, sendo elas: Natal, Quaresma e Páscoa. E as horas do dia também eram organizadas de acordo com a vida de Cristo, sendo anunciadas pelo repique dos sinos, que transmitiam aos povos as horas litúrgicas às quais deveriam ser feitas rezas e cantos sagrados, e a convocação da sociedade para os ofícios religiosos. Naquela época, principalmente, o maior objetivo dos homens era a salvação da alma, o que garantia à Igreja, uma posição enaltecedora na sociedade feudal.

• O casamento também era um dos meios utilizados pela Igreja para o controle social, de modo que, a Igreja tentava restringir o comportamento sexual e controlar o nível de reprodução da sociedade, indiferente de níveis sociais. O casamento, feito pelo padre, confirmava o caráter sagrado das relações sexo-sociais. A Igreja condenava o concubinato, em que um homem e uma mulher vivem juntos sem serem casados; e também a prática do adultério, infidelidade conjugal. Além disso, proibia as relações sexuais durante o período da Quaresma, inclusive aos legitimamente casados. Para a nobreza era necessário controlar o comportamento feminino, ‘meio de entrada’ das aventuras cavalheirescas. O casamento, além de seu secular papel religioso, assumia também uma forma de ampliação das propriedades senhoriais e incorporação de reinos e principados.

Casamento de D. João I com d. Felipa de Lencastre; ele da família real portuguesa, ela da família real inglesa, em 1387.

• Trégua de Deus

- Durante a sociedade medieval, existia também um período ordenado pela Igreja, conhecido por “Trégua de Deus”. Este período referia-se ao tempo da Quaresma ou outros tempos religiosos fundamentais, na qual as lutas dos nobres contra cristãos era terminantemente proibida sob pena de excomunhão. A “Trégua de Deus” tinha como objetivo submeter em mais uma forma, a nobreza ao clero, quanto às suas guerras que resultavam em vários mortos.

• É nesta seara de forte domínio religioso da Igreja sobre o povo que, depois do ressurgimento das cidades, e após a implantação dos primeiros relógios mecânicos em cidades da Europa, durante os séculos XIV e XV, deu-se a divisão do dia em 24 horas, e sobre os relógios foram atribuídos significados práticos e leigos, mais desvinculado do domínio clerical, dando origem, assim, a uma nova forma de vida.

Leia também a 3ª parte deste estudo (CLIQUE AQUI)

Nenhum comentário:

Postar um comentário